Wednesday, December 9, 2009

A Little Rain

Para todos que moram em São Paulo, acho que falar da chuva que ocorreu ontem seja um pouco desagradável.

Mas, sinceramente, eu achei aquilo bem impressionante. Não estava chovendo torrencialmente em nenhum lugar, foi apenas uma chuva constante e muito, muito longa. De acordo com estimativas de telejornais, nós tivemos um volume de água equivalente a 70% de toda precipitação esperada para o mês inteiro, em 14 horas de chuva incessante.


Deslizamentos, interdição de imóveis, pessoas desalojadas, congestionamento, até algumas mortes foram registradas. Os bombeiros tiveram um dia excepcional de muito trabalho hoje, presumo. De qualquer forma, esse tipo de intempérie deve passar a acontecer com mais freqüência, de acordo com alguns programas recentes da Discovery.

Um amigo meu disse, no meu último post, que "o mundo se afoga cego em sua própria ignorância". E é provável que estejamos presenciando o começo disso, um pouco mais próximo do sentido literal dessas palavras. Mas, assim como seus antepassados, a humanidade tem o costume de aprender com os maus tempos. E eu não falo só do clima.

Sempre que uma pessoa passa por algo ruim em sua vida, existe alguma lição que pode ser tirada daquela experiência. É fato que as experiências boas também ensinam, mas aparentemente só as experiências ruins ensinam de verdade. Pelo que pude observar, as experiências ruins levam as pessoas a refletir, ao contrário das experiências boas. E, desta forma, são percebidas as lições valiosas que devem ser aprendidas.

Claro que existem aqueles que nunca aprendem. Geralmente, estes são o tipo de pessoas que não apreciam a reflexão. Ficar remoendo o que aconteceu apenas as irrita ainda mais. Esses costumam errar repetidas vezes até que instintivamente evitem o erro, na maioria das vezes não compreendendo as razões por trás disso.

Existem também aqueles que mantém as esperanças, que lutam contra a crueldade dos seres humanos, esperando haver neles algo de valioso, ao contrário daquilo que lhes é mostrado. Admiro essas pessoas, apesar de saber que elas são as que mais sofrem.

Me pergunto se a chuva de ontem vai ajudar a humanidade a entender o que está fazendo com seu próprio planeta.

2 comments:

Anonymous said...

A questão é a seguinte: uma simples chuva, em sua concepção, foi algo estrondoso e fatal para a vivência alheia. Perder algo é um fato tão, mas tão relativo, que afirmar o certo e o errado nos torna obsoletos. Os exemplos que você citou são excelentes para averiguar social e filosoficamente as perdas que as pessoas sofreram. Elas davam valor àquilo que tinham? Faziam bom uso? Nessas perguntas eu incluo tudo, até a nossa própria vida. Como qualquer outra coisa, nós também a perdemos. Só uma força maior que nos diz se foi na hora ou não. Antes de pensar na perda, pensamos no medo. Esse nos bloqueia até de pensar nas hipóteses ilustrativas da perda. Medo de perder é algo absurdo, onde a posse fala em primeiro lugar. No entanto, como diz a Pitty, "homem que nada teme é homem que nada ama". Se o amor entra na jogada, valorize e faça bom uso do que se tem. Eu penso assim...

Quanto a insegurança mundana, concordo muito com o que diz seu amigo, porém, com uma vírgula. Melhor, com a extração de um vocábulo: "cego".

Eu não diria que o mundo é cego. Só acho que ele não quer enxergar. A vida tá ali, sucedendo com todas suas catástrofes e benevolências... a humanidade prefere ser lunática ao invés de acordar para a realidade. Pode ser redundante isso de ser cego e não querer enxergar, mas há um fio tênue de diferença entre essas duas condições.

Essa premissa pode nos levar também a afirmar que cada um tem suas próprias crenças, remetidas aos valores culturais. Um exemplo: Na índia, aquele que é financeiramente desfavorecido, é visto como a sola do sapato da sociedade. Se ele passa fome, frio, sede e está à beira da morte... que se dane. Pra nós ocidentais, pode parecer horrível. Mas é a cultura milenar deles. E esse achar horrível é como chover no molhado... porque é fácil julgar o ato alheio, se você faz coisa semelhante em uma sociedade em que se permite a igualdade. Só que ninguém a pratica.

Que a chuva de ontem seja só mais um degrau na escada para que o espírito corporativo possa manifestar-se. Melhor pensar em mais um degrau do que na meta em si. Não quero parecer utópica.

Desculpa o testamento em forma de comentário. Me empolguei.

Anonymous said...

A resposta para a pergunta final é? Um belo e sonoro NÃO! Porque? Pelo simples fato que comentei a um post atrás, é muito mais fácil jogar literalmente a responsabilidade de fazer um mundo melhor para as crianças de hoje e de amanhã, do que assumir a culpa por tudo que deu errado e do que continua dando e fazer algo realmente a respeito disso. Porque, falar que a criança e o jovem são as vozes do futuro da nação é fácil, mas alguém ensina o que é certo ou errado, ou como as coisas devem ser de fato? Muitas vezes ouvi principalmente quando era "jovem", que os mais velhos são os sabios, aqueles que devemos sempre ouvir e aprender. Porém, hoje o que eu vejo são velhos com manias e costumes tão primitivos, que não é difícil pensar que hoje se uma criança polui o ambiente em sua volta, nada mais é que a visão do adulto (velho) que faz o mesmo sem mesmo pensar ou refletir o que isso gera para uma criança no futuro.
Mas para ser sincero, a grande falha desta nação, nada mais é que o comodismo, por que eu não vejo ninguém criticar ou até mesmo dar um puxão de orelhas na pessoa que joga seu papel de bala nas vias publicas, afinal isso aos olhos de todos é comum, é normal, "não pega nada" como diriam hoje em dia.
Mas vamos deixar esse assunto pra lá, tá chegando o natal e depois vem o ano novo, deixemos esses assuntos pro ano que vem, e assim vamos empurrando com a barriga tudo de novo!